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30/04/2026Você sente uma dor persistente na lateral do quadril que incomoda ao caminhar, subir escadas ou até mesmo ao se deitar de lado? Esse tipo de desconforto é mais comum do que parece e pode ter diferentes causas. E, entre elas, existem duas condições bastante frequentes: a tendinite glútea e a bursite trocantérica.
Embora ambas provoquem dor na mesma região do quadril e possam apresentar sintomas semelhantes, elas envolvem estruturas diferentes e exigem abordagens específicas para o tratamento. Por isso, compreender o que acontece no corpo e identificar corretamente a origem da dor é um passo importante para buscar alívio e recuperar a qualidade de vida.
Neste artigo, você vai entender o que são a tendinite glútea e a bursite trocantérica. Além de quais são as principais diferenças entre essas condições e quais são as opções de tratamento para aliviar a dor lateral no quadril.

O que é tendinite glútea e por que ela causa dor no quadril
A tendinite glútea é uma condição que afeta os tendões dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo, estruturas necessárias para a estabilidade do quadril. Esses músculos têm a função de manter o alinhamento da pelve durante a caminhada, a corrida e outras atividades do dia a dia. Assim, ajudando o corpo a distribuir o peso de forma equilibrada entre as duas pernas.
Os tendões desses músculos se fixam em uma região óssea do fêmur chamada trocânter maior, localizada na parte lateral do quadril. Quando essa área é submetida a sobrecarga mecânica, repetição de movimentos ou desequilíbrios musculares, podem surgir pequenas lesões nas fibras do tendão. Com o tempo, esse processo provoca inflamação e irritação local, resultando em dor na lateral do quadril. Isso ocorre especialmente durante a movimentação ou ao apoiar o peso do corpo na região.
Esse tipo de alteração faz parte de um conjunto de condições conhecido como síndrome da dor trocantérica, termo utilizado para descrever diferentes causas de dor nessa área do quadril. Dentro desse espectro estão problemas que afetam os tendões glúteos e também estruturas próximas, como a bursa trocantérica, que pode inflamar e causar sintomas semelhantes.
Nos estágios iniciais, a tendinite glútea costuma envolver principalmente um processo inflamatório. No entanto, quando o problema persiste por longos períodos ou continua sendo submetido a sobrecarga, o tendão pode passar por alterações degenerativas. Nesses casos, ocorre o que os especialistas chamam de tendinose, uma condição em que o tecido do tendão perde parte de sua estrutura normal e se torna mais vulnerável à dor e à limitação funcional.
O que é bursite trocantérica e como ela surge
A bursite trocantérica é caracterizada pela inflamação de uma pequena estrutura chamada bursa, localizada na região lateral do quadril. A bursa funciona como uma espécie de “amortecedor” natural entre os tendões e o osso do trocânter maior do fêmur, ajudando a reduzir o atrito entre essas estruturas durante os movimentos do quadril.
Em condições normais, essa bolsa preenchida por líquido permite que os tendões deslizem de forma suave sobre o osso quando caminhamos, corremos ou realizamos atividades do dia a dia. No entanto, quando ocorre irritação ou inflamação da bursa, esse mecanismo de proteção deixa de funcionar adequadamente. Assim, podendo provocar dor localizada na lateral do quadril. Em alguns casos, esse desconforto pode se estender para a região da coxa ou da nádega, principalmente durante movimentos ou ao pressionar o lado afetado.
A inflamação da bursa pode surgir por diferentes motivos. Situações como traumas diretos na região, pressão prolongada sobre o quadril, sobrecarga física ou alterações biomecânicas que modificam a forma como o corpo distribui o peso podem favorecer o desenvolvimento do problema. Esses fatores aumentam o atrito entre as estruturas do quadril e acabam irritando a bursa ao longo do tempo.
Alguns grupos apresentam maior predisposição para desenvolver bursite trocantérica. Mulheres e pessoas acima da meia-idade costumam ser mais afetadas, possivelmente por diferenças anatômicas e por mudanças naturais do corpo ao longo dos anos. Ainda assim, a condição pode surgir em qualquer faixa etária, especialmente em pessoas que realizam atividades repetitivas ou que sobrecarregam a região do quadril.
Tendinite glútea x bursite trocantérica: principais diferenças
Embora a tendinite glútea e a bursite trocantérica provoquem dor na mesma região do quadril, elas envolvem estruturas diferentes. A tendinite glútea está relacionada aos tendões dos músculos glúteo médio e glúteo mínimo, responsáveis por estabilizar o quadril durante a caminhada e outros movimentos. Quando esses tendões sofrem sobrecarga ou microlesões repetidas, podem desenvolver inflamação ou alterações degenerativas que resultam em dor na lateral do quadril.
Já a bursite trocantérica ocorre quando a bursa localizada próxima ao trocânter maior do fêmur se inflama. Essa pequena bolsa cheia de líquido atua como uma camada de proteção entre os tendões e o osso, reduzindo o atrito durante o movimento. Quando a bursa fica irritada, o processo inflamatório pode gerar dor localizada e sensibilidade na região lateral da articulação.
Apesar dessa diferença anatômica, as duas condições costumam produzir sintomas muito semelhantes. A dor lateral no quadril pode aparecer ao caminhar, subir escadas ou deitar sobre o lado afetado, o que muitas vezes torna difícil distinguir a origem do problema apenas pelos sintomas. Além disso, não é raro que as duas alterações estejam presentes ao mesmo tempo, já que a sobrecarga mecânica que afeta os tendões também pode irritar a bursa próxima.
Por esse motivo, muitos especialistas passaram a utilizar o termo síndrome da dor trocantérica maior para descrever esse conjunto de condições que causam dor na parte lateral do quadril. Essa abordagem reconhece que diferentes estruturas da região podem estar envolvidas simultaneamente e que os mecanismos de sobrecarga, inflamação e degeneração frequentemente se sobrepõem.
Sintomas característicos da dor lateral no quadril
A dor localizada na parte lateral do quadril é o principal sinal associado tanto à tendinite glútea quanto à bursite trocantérica. Esse desconforto costuma surgir na região próxima ao trocânter maior do fêmur e pode aparecer de forma gradual, tornando-se mais perceptível conforme a articulação é utilizada ao longo do dia.
Muitas pessoas percebem que determinados movimentos passam a desencadear ou intensificar o incômodo. Atividades simples, como caminhar por períodos mais longos, subir escadas ou levantar-se após permanecer sentado, podem provocar dor na região do quadril. Com a progressão do quadro, até tarefas cotidianas passam a exigir mais cuidado, já que o apoio do peso corporal sobre a articulação tende a aumentar a sensibilidade local.
Outro achado comum é a presença de dor à palpação na lateral do quadril. Ao tocar ou pressionar a região, o paciente pode sentir uma pontada ou uma sensação de queimação. Em alguns casos, o desconforto não permanece restrito ao ponto inicial e pode se espalhar pela face lateral da coxa, criando uma área mais ampla de sensibilidade.
Além da dor, algumas pessoas relatam sensação de rigidez ao iniciar os movimentos após períodos de repouso. Esse tipo de limitação pode ser percebido ao dar os primeiros passos pela manhã ou ao se levantar depois de ficar sentado por algum tempo. Durante a noite, a dor também pode interferir no sono, principalmente quando o paciente tenta se deitar sobre o lado do quadril afetado, já que a pressão sobre a região costuma intensificar o desconforto.
Como é feito o diagnóstico da dor lateral no quadril
O diagnóstico da dor lateral no quadril começa com uma avaliação clínica cuidadosa realizada pelo ortopedista. Durante a consulta, o médico investiga em detalhes os sintomas apresentados, o tempo de evolução da dor e as situações em que ela costuma aparecer ou se intensificar. O médico analisa o histórico do paciente com atenção, considerando o nível de atividade física, possíveis episódios de sobrecarga ou trauma na região e a presença de outras condições que possam influenciar o quadro.
Em seguida, é realizado o exame físico do quadril. Nesse momento, o especialista observa a mobilidade da articulação, avalia a força muscular e verifica se determinados movimentos reproduzem a dor relatada. A palpação da região lateral do quadril, especialmente sobre o trocânter maior do fêmur, costuma provocar sensibilidade nos casos de tendinite glútea ou bursite trocantérica, o que ajuda a direcionar a investigação.
Quando necessário, exames de imagem podem complementar essa avaliação clínica. A radiografia geralmente é solicitada para analisar as estruturas ósseas do quadril e descartar outras alterações que possam causar dor na região. Já exames como a ultrassonografia ou a ressonância magnética permitem observar com mais detalhe os tecidos moles, ajudando a identificar inflamação da bursa, alterações nos tendões dos músculos glúteos ou outras lesões associadas. Esses exames auxiliam na confirmação do diagnóstico e contribuem para definir a melhor estratégia de tratamento.
Tratamentos indicados para tendinite glútea e bursite trocantérica
O tratamento da tendinite glútea e da bursite trocantérica costuma apresentar bons resultados, principalmente quando iniciado nas fases iniciais do problema. Na maioria dos casos, a abordagem é conservadora e tem como objetivo reduzir a dor, controlar o processo inflamatório e restaurar o funcionamento adequado do quadril.
Uma das primeiras orientações envolve ajustar temporariamente as atividades que desencadeiam ou intensificam o desconforto. Movimentos repetitivos ou esforços que sobrecarregam a região lateral do quadril podem agravar as microlesões nos tendões ou a irritação da bursa. Por isso, em alguns momentos é necessário reduzir esse tipo de esforço até que a região se recupere. Medidas simples, como a aplicação de gelo no local doloroso e o uso de medicamentos analgésicos ou anti-inflamatórios prescritos pelo médico, também ajudam a controlar os sintomas nas fases mais dolorosas.
A fisioterapia costuma desempenhar um papel central no tratamento. O trabalho fisioterapêutico é direcionado para fortalecer a musculatura do quadril, melhorar o equilíbrio muscular e corrigir possíveis alterações biomecânicas que contribuem para a sobrecarga da região. Além disso, exercícios específicos ajudam a recuperar a estabilidade da pelve durante a marcha e outras atividades do dia a dia. Assim, reduzindo a pressão sobre os tendões glúteos e as estruturas próximas.
Outros tratamentos
Em situações nas quais a dor persiste mesmo com essas medidas, o médico pode considerar a realização de infiltrações com corticosteroides na região do trocânter maior. Esse tipo de procedimento pode ajudar a reduzir a inflamação e proporcionar alívio mais rápido dos sintomas em casos selecionados.
A cirurgia raramente é necessária para tratar essas condições. Ela costuma ser considerada apenas quando a dor permanece por longos períodos e não responde às abordagens conservadoras realizadas de forma adequada. Nessas situações, o procedimento pode envolver a correção de alterações nos tendões ou o tratamento de estruturas envolvidas na dor lateral do quadril.
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Dr. José Thomé é médico ortopedista e traumatologista, formado pela USP, com residência no Hospital das Clínicas da USP e especialização em cirurgia do quadril. Atua no diagnóstico e tratamento das doenças do quadril, com foco em abordagens individualizadas, recuperação funcional e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, sempre com atendimento humanizado e baseado em evidências.



