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26/05/2026VA dor na região do quadril pode surgir de forma discreta, quase imperceptível no início, e aos poucos começar a interferir em movimentos simples do dia a dia, como caminhar, levantar ou praticar atividades físicas. Em muitos casos, ela aparece sem um motivo evidente, o que gera dúvida e até certa preocupação. Afinal, por que essa dor surge e o que ela pode indicar?
Entre as possíveis causas, a pubalgia é uma opção. Bastante comum em pessoas fisicamente ativas, especialmente aquelas que realizam movimentos repetitivos ou de impacto, ela pode se manifestar como um desconforto persistente. Na região do púbis, virilha ou até mesmo irradiar para o quadril. Ainda assim, nem sempre é facilmente reconhecida, o que pode atrasar o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
Neste artigo, você vai entender por que a pubalgia causa dor na região do quadril, quais são seus principais sinais e quando é importante procurar avaliação especializada.

O que é pubalgia e por que causa dor no púbis?
A pubalgia é um quadro caracterizado por dor na região do púbis, geralmente relacionada a um processo inflamatório ou a uma disfunção. Essa estrutura funciona como uma “ponte” entre os ossos do quadril, permitindo estabilidade e pequena mobilidade. E, por estar em uma região de grande sobrecarga mecânica, pode se tornar um ponto de dor quando há excesso de esforço ou desequilíbrios musculares.
Um dos principais fatores envolvidos no desenvolvimento da pubalgia é justamente o desequilíbrio entre os músculos abdominais e os músculos adutores da coxa. Enquanto os abdominais atuam puxando a região para cima, os adutores exercem uma força contrária, tracionando para baixo. Quando essa relação não está equilibrada, a sínfise púbica passa a sofrer um estresse contínuo, o que favorece o surgimento de inflamação e dor. Esse desconforto não se limita apenas ao púbis, podendo se estender para a virilha e o abdômen inferior, e em alguns casos até irradiar para o quadril.

Pubalgia é comum em quem pratica esportes? Entenda a relação
Sim, a pubalgia tem uma relação bastante próxima com a prática de atividades físicas, especialmente aquelas que exigem movimentos intensos e repetitivos da região do quadril e da pelve. Esportes que envolvem corrida, chutes e mudanças rápidas de direção costumam aumentar a sobrecarga. Como o futebol ou até mesmo a corrida de forma mais intensa, sobre a sínfise púbica e os grupos musculares ao redor.
Esse tipo de esforço contínuo faz com que a musculatura abdominal e os adutores da coxa sejam exigidos de maneira frequente e, muitas vezes, sem o tempo adequado de recuperação. Com o passar do tempo, esse cenário favorece o surgimento de microtraumas na região. E, quando se acumulam, podem evoluir para um quadro de inflamação e dor persistente. É o que se chama de lesão por uso excessivo, bastante comum em quem mantém uma rotina de treinos mais intensa ou mal ajustada.
Vale destacar que a pubalgia não é exclusiva de atletas profissionais. Pessoas que praticam esportes de forma recreativa, especialmente sem orientação adequada, preparo muscular ou progressão gradual de carga, também estão suscetíveis ao problema. Isso acontece porque o corpo, quando exposto a esforços repetitivos sem equilíbrio muscular ou recuperação suficiente, responde com sinais de sobrecarga.
Quais são os sintomas da pubalgia e como identificar?
Em muitos casos, a dor começa como um leve incômodo na região da virilha ou do púbis, sendo facilmente ignorada ou associada a um esforço pontual. Com o passar do tempo, porém, esse desconforto tende a se tornar mais frequente e intenso, chamando mais atenção do paciente.
A dor pode se localizar no púbis, na virilha ou no abdômen inferior, e não é incomum que se irradie para as coxas ou até para a região genital. Dependendo da evolução do quadro, atividades simples como caminhar, subir escadas ou permanecer apoiado em uma única perna já são suficientes para desencadear ou intensificar o sintoma. Esse comportamento progressivo é um dos sinais importantes de que algo não está bem e merece avaliação.
Além da dor, algumas pessoas relatam sensação de queimação na região e dificuldade para realizar movimentos que antes eram feitos sem esforço. Aos poucos, pode surgir uma limitação funcional que impacta tarefas do dia a dia, desde atividades físicas até movimentos mais básicos. Por isso, observar a evolução dos sintomas e a forma como eles interferem na rotina é importante para suspeitar de pubalgia e buscar orientação adequada.
Pubalgia ou dor no quadril: como diferenciar de outros problemas?
A dor na região do quadril e da pelve pode ter diferentes origens, e é justamente por isso que o diagnóstico correto faz toda a diferença. A pubalgia, por exemplo, pode apresentar sintomas semelhantes aos de outras condições, como hérnia inguinal, lesões musculares, alterações na articulação do quadril ou até problemas na coluna lombar. Essa sobreposição de sinais pode gerar dúvidas e atrasar a identificação da causa real do desconforto.
No caso da pubalgia, a dor costuma ter uma característica mais localizada na região do púbis, muitas vezes associada ao esforço físico ou a determinados movimentos. Que exigem maior ativação da musculatura da pelve. Diferentemente de lesões musculares agudas, que surgem de forma súbita, o incômodo tende a se manifestar de maneira progressiva. E com relação direta à sobrecarga da região.
Para diferenciar corretamente essas condições, a avaliação médica é necessária. O processo geralmente começa com uma análise do histórico do paciente, incluindo rotina de atividades, tipo de dor e evolução dos sintomas. Em seguida, o exame físico direcionado ajuda a identificar pontos de sensibilidade e padrões de movimento que sugerem o diagnóstico. Quando necessário, exames de imagem podem ser solicitados para confirmar a suspeita e, principalmente, excluir outras possíveis causas.
Como tratar a pubalgia? Quando a cirurgia é necessária?
O tratamento da pubalgia, na maioria dos casos, começa de forma conservadora, com foco em reduzir a dor e corrigir os fatores que levaram ao problema. A primeira etapa geralmente envolve o controle da carga sobre a região. O que pode incluir a redução ou até a pausa temporária de atividades que provocam dor. Medidas simples, como o uso de gelo, ajudam no alívio dos sintomas. E medicamentos podem ser indicados pelo médico para controlar a inflamação e o desconforto.
A fisioterapia também tem um papel importante nesse processo. Mais do que apenas aliviar a dor, o objetivo é promover o fortalecimento adequado da musculatura abdominal e dos adutores, além de restaurar o equilíbrio entre esses grupos musculares. Esse reequilíbrio é necessário para reduzir a sobrecarga na região do púbis e evitar que o quadro se torne recorrente. Ao longo do tratamento, os exercícios são ajustados de forma progressiva, respeitando a evolução de cada paciente.
Na maior parte das situações, essa abordagem é suficiente para proporcionar melhora significativa dos sintomas, sem necessidade de intervenção cirúrgica. A cirurgia costuma ser indicada apenas em casos mais persistentes, quando não há resposta satisfatória ao tratamento clínico bem conduzido ou quando a dor continua limitando de forma importante as atividades do paciente.
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Dr. José Thomé é médico ortopedista e traumatologista, formado pela USP, com residência no Hospital das Clínicas da USP e especialização em cirurgia do quadril. Atua no diagnóstico e tratamento das doenças do quadril, com foco em abordagens individualizadas, recuperação funcional e melhoria da qualidade de vida dos pacientes, sempre com atendimento humanizado e baseado em evidências.



